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Se eu tivesse que definir a poesia, usaria três palavras. A primeira encontra-se imersa nas línguas mortas e tirá-la do seu leito seria um pecado. A segunda é uma mistura indescritível de números, brisas e sensações sem tradução para nenhum idioma. E a terceira ainda não foi criada.

Quem é o autor?
Esse Majarti é aquele sujeito que com o calor se torna brilho de luar.
E julga as utopias como lógicas estradas da verdade.
Esse cara usa a cabeça para realizar as visitas menos esperadas.
E destrói qualquer quadro repousado nas paredes do inconsciente.
Majarti é quem não deveria ser, no mundo que nunca foi, no tempo que não passou.
Majarti mora no circo das letras azuis e pinta o exterior de qualquer cor.
Ele é alto como uma montanha que deita na planície e cria pássaros que engolem peixes de papel machê.
O sujeito brinca com a imensidão e a reclui a uma cela de pétalas e talos.
Majarti é um motor com engrenagens de ouro para triturar o raciocínio e espremer a literatura pasma.
Uma carícia arremessada para os quatro cantos do infinito.
Uma leve distância entre os desenhos da natureza e os registros da mão do homem.
Majarti não é quem parece ser, simplesmente, não é.

Passado Tormentoso
Tormentas Passadas
Tormentas Passadas I
Tormentas Passadas II
Tormentas Passadas III
Tormentas Passadas IV
Tormentas Passadas V
Tormentas Passadas VI
Tormentas Passadas VII
Tormentas Passadas VIII
Tormentas Passadas IX
Tormentas Passadas X
Tormentas Passadas XI
Tormentas Passadas XII
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A ponte e o rio
Naquela ponte desenham-se as cores do rio,
uma música que poucos lembram ter contemplado,
um sortilégio de prazeres que matam o pensamento,
um brio nas ondas trabalhadas com as mãos dos deuses.
Azul no contato suave dos beijos de fim de tarde,
águas de mil matizes como árvores de folhas de arco-íris,
como penas de pássaros no arroubo do ar,
enquanto o presente oferece abraços melódicos.
Estigma de palavras que o celebram, talvez sonífero,
como um canto de amapolas nas selvas frias,
talvez como asas d'água transpondo vôos musicais,
talvez como espaço reservado para um lembrar desmedido.
posted by MAJARTI BSB @
4:39 PM
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Sexta-feira, Setembro 03, 2004  |
Sonhos de Akira Kurosawa (1990)
Capítulo: "A aldeia dos moinhos de água"
O protagonista conversa com um camponês de 103 anos:
- Não tem eletricidade aqui?
- Não precisamos dela. As pessoas se acostumam com a conveniência, acham que a conveniência é melhor. Jogam fora o que é realmente bom.
- Mas, e a iluminação?
- Temos velas e óleo de linhaça.
- Mas a noite é tão escura...
- Sim. A noite tem de ser assim... Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite. (...) Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver. Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são parte da natureza. Destruem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os cientistas. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer. As coisas mais importantes para os seres humanos são o ar limpo e a água limpa e as árvores e as plantas. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.
posted by MAJARTI BSB @
11:06 AM
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Sexta-feira, Agosto 13, 2004  |
Época de crise
Autor: Fabio Morábito
Tradução: Majarti
Este prédio tem
os tijolos ocos,
chega-se a saber tudo
dos outros,
aprende-se a distinguir
as vozes e os coitos.
Uns aprendem a fingir
que são felizes,
outros que são profundos.
Às vezes algum beijo
dos andares de cima
perde-se nos apartamentos
inferiores,
tem que descer para pegá-lo:
- Meu beijo, por favor,
se for gentil.
- Eu o guardei em papel de jornal.
Um prédio tem
sua época de ouro,
os anos e o desgaste
o emagrecem,
dão uma aparência parecida
com a vida que transcorre.
A arquitetura perde peso
e ganha o costume,
ganha o decoro.
A hierarquia das paredes
dissolve-se,
o teto, o piso, tudo
faz-se côncavo,
é quando fogem os jovens,
dão a volta ao mundo.
Querem viver em prédios
virgens,
querem por teto, o teto
e por paredes, as paredes
não querem outra índole
de espaço.
Este prédio não contenta
ninguém,
está na sua época de crise,
para demoli-lo, teria
de ser feito agora,
depois vai ser difícil.
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9:25 AM
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Sexta-feira, Agosto 06, 2004  |
Para você
Eu quero que esta poesia
que você está lendo agora
que é toda sua e minha
se apresente cândida
sensual melodia
que não decepcione o poeta
que com os braços sorria
e que um abraço demonstre
o calor desta alegria
e uma mão pelo teu rosto
leve a palavra carícia
e se apresente sua amiga
nesta poesia que é nossa
que é tão sua como minha.
posted by MAJARTI BSB @
11:23 AM
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Sexta-feira, Julho 30, 2004  |
Mistura
Um dia vi o sol da cor do céu
o céu da cor do mar
e o mar da cor da paz.
Um dia abriu-se o horizonte
e o céu juntou-se ao mar
e a paz da cor do sol
viveu interlúdios deliciosos.
Uma noite bebi o ar das estrelas
acalmei a lua no perene lençol preto
e afastei-me dela no olhar das horas.
Nunca gritarei o silêncio que respiro
nem contarei os segredos perplexos
que abraçam a noite ao dia
mas vivenciarei a magia dessa mistura divina.
posted by MAJARTI BSB @
6:53 PM
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Sexta-feira, Julho 23, 2004  |
"Obrigado Inteligência por reconhecer tanta ignorância que há em você"
posted by MAJARTI BSB @
4:28 PM
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Sexta-feira, Julho 16, 2004  |
Infeliz
O que olhas infeliz?
A tua cara enrugada
a fadiga te degrada.
Corcunda! Mostra a cerviz.
O que olhas com receio?
O cabelo despenteado
oleoso brilho apagado
a mentira que não veio.
O que procuras tu, tolo?
O sucesso que te vendem
a verdade que arrepende
riquezas dentro de um bolo.
O que enxergas velho cego?
O ódio pelo sossego
a catástrofe do ego
ser, tão só, mais um flagelo.
O que dói na tua consciência?
O fracasso dos anseios
a sepultura sem freios
a sina da decadência.
O que olhas tu, idiota?
A raça que não conquista
o excremento na crista
tu no muro da derrota.
O que tu queres sentir?
A vergonha corriqueira
a carne morta, a sujeira
o cheiro podre está a vir.
O que mais tu vais ouvir?
O discurso que te veste
o monólogo, essa peste
a grana que irás parir.
O que olhas sujo fel?
És um cruento vidro frio
emporcalhado, sem brio
és espelho, espelho meu.
posted by MAJARTI BSB @
11:47 AM
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Quarta-feira, Julho 14, 2004  |
Monólogo para dois atores
Se você começa a ler,
eu vou ao contrário.
Enquanto a idéia se desenvolve,
eu a desenvolvi.
Neste teatro plano
de papel quadrado,
eu sou cenário.
Se você quer desistir,
eu me garanto.
Por que este é meu reinado
nas letras é que vou nadar,
é o que faço há anos,
falar para você
sem dizer uma palavra...
E você chegou até o fim da idéia,
mas foi neste exato momento
que comecei.
posted by MAJARTI BSB @
12:10 PM
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Segunda-feira, Julho 12, 2004  |
Salário-Nosso
Salário-nosso que estais no chão
santificada seja a nossa fome
venha a nós o nosso pão alheio
seja feita a nossa vontade
sem emprego é um inferno.
O dia-nosso da burocracia liberai-nos hoje
esquecei as nossas dívidas
assim como nós somos esquecidos a cada dia
e não nos deixeis cair em depressão
Mas dai-nos muita paz...
Ok?
posted by MAJARTI BSB @
3:26 PM
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Sexta-feira, Julho 02, 2004  |
Poema politiqueiro
Quando penso em Itamar Franco
lembro de um fusquinha branco.
Quando penso no Collor de Mello
é, da cadeia, o próprio elo.
Quando penso no Roriz
sou um pouco menos feliz.
Fernando Henrique Cardoso
todos no fundo de um poço.
Quando penso no Vigão
um xeque árabe, um sultão.
Quando penso em ACM
sei que todo mundo teme.
Quando penso no Arruda.
Por favor Deus nos acuda!
Quando penso em Jader Barbalho
não acho rima. Que saco!
posted by MAJARTI BSB @
3:01 PM
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Terça-feira, Junho 29, 2004  |
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